
O Movimento de Utentes dos Transportes da Área Metropolitana do Porto (MUT-AMP) vai promover no próximo dia 1 de Outubro uma concentração/manifestação em protesto contra a nova rede da Sociedade de Transportes Colectivos do Porto (STCP).
Em conferência de imprensa, André Dias, do MUT-AMP, disse que o objectivo desta concentração — a realizar na baixa do Porto — é "contestar a desastrada implementação da nova rede da STCP", nove meses depois da sua implementação.
A implementação da nova rede envolveu a eliminação de 44 linhas a rede antiga, a criação de 30 novas linhas, a introdução do tarifário Andante na totalidade da rede e a introdução de novos planos de frequências.
O MUT acusou o conselho de administração da STCP de "incompreensão" e "incompetência", tendo André Dias afirmado que "não vê e muito menos frequenta a sua nova rede, pois, se o fizesse, facilmente perceberia que muitas carreiras foram extintas, os horários nocturnos foram reduzidos e deixou de haver muitas linhas ao fim de semana".
"As carreiras directas foram abolidas ou reduzidas, os trajectos e os tempos de viagem são mais longos, os autocarros andam sobrelotados, a bilhética é confusa e pouco fiável, os preços são muito superiores aos praticados na região de Lisboa e, escandalosamente, até foram extintos os transportes para os hospitais e centros de saúde", acrescentou.
O MUT-AMP, que promoveu um inquérito aos utentes da STCP, anunciou que 95 por cento dos inquiridos manifestaram o seu desagrado em relação à nova rede, considerando que a mesma lhes tinha causado prejuízos pessoais.
Campanha de esclarecimento até Setembro
O MUT vai promover ainda durante este mês e em Setembro "uma campanha de esclarecimento e mobilização em torno da defesa dos transportes públicos que satisfaça as necessidades dos cidadãos".
Domingos Alves, também do movimento, considerou que a rede antiga "tinha uma cobertura geográfica muito maior".
"Não se compreende como ainda há paragens sem cobertura e paragens em curvas", disse, acrescentando que há zonas do Porto, como a Constituição, por exemplo, que só é servida por uma linha, que não funciona aos fins-de-semana e à noite.
"O Hospital de Santa Maria também deixou de ter autocarro à porta", exemplificou.
Outra das críticas deste movimento centra-se no facto de um utente comprar um agente único no autocarro e não receber de imediato o recibo desse bilhete.
"Os utentes são obrigados a deslocar-se a um dos três centros de reclamação para solicitar o recibo", disse José Carvalho, considerando que esta situação é caricata quando é o próprio Estado, através do Ministério das Finanças, que apela aos contribuintes a solicitar sempre uma factura.
O MUT-AMP referiu ainda que o provedor do cliente da STCP recebeu 1500 reclamações de utentes, "que não encontraram eco no conselho de administração" da empresa.
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